quinta-feira, 23 de maio de 2013

...mas o que é 'Chutney'???

Bom, enquanto preparo o post sobre o Chutney de Pimentões vermelhos, maçã e gengibre, venho contar uma curiosidade...

Descubro: Chutney é uma palavra de origem anglo-saxônica, também usada por brasileiros, portugueses e moçambicanos. Chetnim (indo-português), chatni ou catni (transliterações Hindi e arcaica, respectivamente) designam o mesmo significado culinário. 

Pois bem, aprendo que o termo refere-se a um condimento de gosto agridoce, sensação picante (forte ou suave), ou ainda uma união de ambos. Ingredientes comuns aos Chutneys ou Chetnins são a pimenta, as frutas e os vegetais, sendo a mistura dos dois últimos uma apresentação possível. Elementos como açúcar mascavo, sal, alho, cebola, mel, vinagre, gengibre e canela são, em geral, usados no tempero da preparação, e especiarias como coentro, cominho, assa-fétida e feno-grego são também comumente escolhidas. Li que na Índia, país de origem do preparo, a receita é confeccionada com ingredientes locais e disponíveis, sendo 'eleitos' aqueles que se adequam a conferir ao paladar sensações fortes. Já nos países de clima temperado, os Chutneys são preparados e vendidos sob forma de conserva, feitos com 'personagens' locais, como a maçã, a pera e o tomate, além dos compostos como óleo vegetal, vinagre ou sumo de limão, que desenvolvem papel na elaboração da conserva.

Bom, li no Wikipedia, e tantas são as possibilidades de ampliar a descoberta. Este é apenas o ponto de partida!

Para começo de conversa, enquanto aguarda a nova receita, que tal você criar um Chutney no final de semana? 

Algumas questões, para estimular o processo criativo...
Que ingredientes você incluirá? Que misturas serão as 'escolhidas'? E o Chutney acompanhará qual prato, uma carne? Vegetais crocantes? Que sensações desejará produzir nos comensais?

Invente e anote!!

Com carinho,
Betina



terça-feira, 21 de maio de 2013

Nos caminhos do Chutney...

Olá!!

Feito o Chutney de pimentão vermelho, maçã e gengibre! Em breve, as notícias, aqui no Blog!!! 

Bem, no momento de registrar o post, acabei percebendo a necessidade de pesquisar a história do Chutney: o que é, suas origens, seus principais componentes...Foi uma viagem interessantíssima a vários territórios, sabores, idiomas! Estou preparando o texto, para contar aos leitores.

Onde tudo começou? Há muito tempo pensava em uma receita que equivalesse à minha chimia de tomates, mas contivesse pimentões vermelhos, ao invés do tomate, combinados a outros ingredientes. Em homenagem à mãe, que prefere pimentões às receitas com tomates, eu quis criar esta novidade nos campos de forno-e-fogão. E, como tantas vezes ocorre na cozinha, a perspectiva de adaptar uma receita foi um gatilho para criar. Como resistir?

Venho, assim, elaborando esta ideia desde o ano passado, aqui e acolá investigando possibilidades. E, como uma história leva à outra, aconteceu algo curioso: comecei a ler os ensaios da ensaísta inglesa Elizabeth David, que tem, em várias de suas obras, um capítulo de 'geléias, chutneys e conservas'. E tive o 'click' de aproveitar as leituras para fazer o experimento com os pimentões vermelhos, que há tanto me rondam 'querendo' uma receita exclusiva. 

E onde a maçã e o gengibre entraram na roda? Pois é, lembrei de um queridíssimo amigo que, tempos atrás, executando a preparação da sopa de maçã com gengibre, do livro 'Aventais', de Joyce Pascovich, demonstrou a fantástica mistura que estes compõem. E pensei que o pimentão, em suas formas crua e assada, poderia combinar bem com a dupla maçã-gengibre. Numa geléia? bom, quem sabe num Chutney, aproveitando as leituras? Ao conjunto, adicionei açúcar mascavo, vinagre balsâmico, uma pitada de sal. Nesta semana, posto a receita com as medidas, o 'como-se-faz', a música para harmonizar o cenário. 

Há tanto o que contar...Sobre a receita, sobre o 'feito' em si, sobre os resultados.

Nos próximos dias...

Por enquanto, agradeço a visita!

Com carinho,
Betina

Mirabolâncias...

Queridos leitores!

Hoje é dia de inventice na cozinha! Bolando nova receitinha de chutney, para acompanhar torradinhas ou vegetais crocantes, nas noites frias que se aproximam...
Pimentão vermelho, maçã e gengibre!

Em breve, as origens da inventice, a elaboração e os resultados! 

E vocês, o que vão criar esta semana?

Aguardem!

Com carinho,
Betina

domingo, 19 de maio de 2013

Um deleite escondido...

Acomodada em um Café de bairro, pelas quatro da tarde de um dia de maio, abro meu 'Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras' nas folhas pautadas. 
Começo a prosa, enquanto espero...

Era preciso esperar a chegada do entardecer. Faltava pouco, o inexorável suspiro do aguardo tomava conta de mim. Coisa de uma hora ou duas, mas a ansiedade crescia, minuteira. Aquele encontro era uma decisão, movimento interno percorrido por mim, em silêncio. Queria, e ponto. Adiava o definitivo, rondada por minhas dúvidas, sabendo que, ao final, a resposta era evidente. Não poderia, não poderia evitar. Ou melhor: poderia, mas não desejava evitar. Inebriada no avançar da tarde, já sentia seu cheiro, seu calor. Únicos. No toque da pele, um rugoso firme, contraste com o aconchego da essência. Dentro era macio, confiável, disso eu sabia. Não haveria novidade, e sim o prazer do reencontro. Era o mesmo, sempre que nos sentíamos juntos, face-a-face. Às vezes, por um desejo improviso, nos víamos num repente; noutras, combinávamos horário, local, marcávamos na agenda. Chuva ou sol, não importava, eu respondia sempre 'sim' ao ímpeto das vontades. Ainda que negasse para mim mesma, acabava admitindo: fazia sacrifícios na semana para tornar aquele momento possível. Despistava compromissos, virava o dia do avesso para estar ali. Era um deleite clandestino, furtivo. Ninguém sabia, além de mim e de minhas páginas do diário. Quebrava a disciplina, rompia acordos precisos. Tudo por um prazer momentâneo, um encontro sem qualquer futuro. Disso eu sabia, mas a volúpia era tirana, um querer que me tornava impetuosa até que saciasse o desejo. Antes do horário marcado, lá estava eu, na espera. Bastava um olhar firme, na direção certa, e ele estaria ali, à mesa. Acontecia sempre do mesmo modo, e era como a primeira vez,   o primeiro sabor, o primeiro fascínio.
 Ele sempre viçoso, quente, perfumado. 

Pronto!
Estava ali meu Croissant, recém-saído do forno, para acompanhar o expresso. 
Seria um entardecer e tanto...

:)

Gracias pela visita!

Com carinho,
Betina


sábado, 18 de maio de 2013

Entre imaginação e véspera de memória...

Pois o programa "Tempero de Família" me reportou a cozinhas significativas na minha vida. Fiquei evocando cenários, cheiros e afetos dos espaços onde aprendi a cozinhar, onde cozinhei... Visitei, também, cenas para onde meus labirintos me levam, numa pincelada tão suave que mal vejo o real, preenchendo o 'recuerdo' com  a fantasia. Existem cenas que habitam, em mim, um território  feito de brumas, uma tênue passarela entre dois vilarejos, 'Imaginação' e 'Véspera de memória'. Ali, moram roteiros de viagens, acepipes idílicos, leituras, histórias contadas, sabores desejados, impressões que pairam entre o devaneio e a vivência.

Então, pensar nas cozinhas antigas em que estive me transporta para um universo rico de cores, formas, cheiros, gentes. Significa pensar também nas receitas que são nosso  patrimônio. Assistir ao programa 'Tempero de Família' fez com que  eu buscasse, nos meus trajetos, registros de lugares onde a culinária nasceu para mim, registros de onde parte o 'como-se-faz', no percurso familiar e nos meus caminhos pessoais. Histórias que se transmitem, contadas entre gerações, e que chegam a nós tanto quanto a carga genética: herdamos histórias vividas. Muitas vezes, felizmente, esta herança se expressa quando abrimos o caderno de receitas de família. Somos nós, ali, com toda nossa bagagem ancestral. E construímos novas histórias de forno-e-fogão, reais ou imaginadas, que vamos passando às gerações seguintes...

Na temporada em Orleans, da série 'Tempero de Família', muitas vezes o ator Rodrigo Hilbert nos leva com ele a uma viagem para dentro do caderno da família, da SUA família. Pegamos nosso passaporte e vamos junto, enquanto começamos a percorrer nossas próprias lembranças e fantasias de cozinha. 
Nossas bagagens. 

Gracias pela visita!

Com carinho,
Betina


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sobre o programa "Tempero de Família"!!

Assisti a todos os episódios da série de programas culinários Tempero de Família, do GNT, apresentados pelo ator Rodrigo Hilbert, na sua  cidade natal, Orleans, em Santa Catarina. E digo, de coração, que foi uma temporada muito especial! 

O Rodrigo apresentava suas façanhas na cozinha da família,  e com a família, incluindo a avó, a mãe, irmão, primos, tios e tias, amigos, vizinhos, e assim por diante. Esta proximidade deu ao programa um colorido prazeroso, um calor familiar, a sensação de que aquela poderia ser a nossa cozinha, também. Receitas do caderno da avó, panelas e formas conhecidas, ingredientes de fácil acesso, receitas muito vivas da tal 'comfort food', com o conforto de tudo transcorrer num cenário rico de memórias, de afeto, de cheiro de comida boa! Tudo com um desempenho muito espontâneo, como quando o ator se atira ao chão para pegar a galinha, ou quando faz a própria faca, no início do primeiro episódio, ou mesmo enquanto faz os pratos, interage com os familiares, e por aí vai...

Há o tom do improviso, o tom do casual, presente e necessário quando vamos para a cozinha de casa, e esta vivência real do ator em sua cozinha de família nos torna partícipes da cena. De algum modo, nos sentimos ali, naquela atmosfera de forno-e-fogão, a ponto de sentirmos os cheiros, de percebermos a textura de uma massa de pão. Ele torna a cena real, exatamente por se permitir errar, exatamente pelo clima descontraído que imprime às cenas, às conversas, aos afazeres. Foi muito rico poder acompanhar todos os episódios, seguir os passos da série na cidade natal do ator. 

Fechando com chave de ouro, hoje ele fez um 'cafezão da tarde', com mesa na rua e tudo, para a avó, a mãe, as tias, pediu que o ajudassem a botar a mesa, mostrou-as enquanto se arrumavam para o 'evento'. Tudo com muita vida, muito afeto entre a família, numa naturalidade tão tangível quanto as delícias que fazia. Finalizar a temporada com o café da tarde foi genial, pois é algo que toca a anima da cozinha de família: café, suco, bolos, pães, cucas...Foi muito legal vê-lo emocionado por ser este o último episódio em Orleans, pois, nestes quase dois meses, cozinhou no cenário de sua infância e adolescência, e sabemos como estas memórias são fortes, pulsantes. Fiquei imaginando como seria voltar às primeiras cozinhas que fizeram parte de meu aprendizado...

Agora, o programa segue no Rio de Janeiro, a partir da semana que vem. E seguirei acompanhando as epopéias culinárias do Rodrigo Hilbert, em 'Tempero de Família'. Há muito o que falar, divagar sobre as lembranças, ideias e sabores que o programa suscita, mas, de fato, indico que os leitores do blog acompanhem, se puderem. Muito do que penso e sinto sobre cozinha vi representados ali, com todo o afeto e as presenças de gente fazendo parte da cena culinária. De um modo estranho, nos tornamos parte das histórias, e as histórias parte de nós, enquanto seguimos as aventuras do ator em sua jornada às origens. Dá um gostinho, uma vontade de atravessar a tela e fazer parte do almoço, do café da tarde, da sobremesa, do improviso, do bate-papo. São episódios que, sem dúvida, promovem na gente um sentimento bom de felicidade, de algo que nos é muito conhecido, muito ancestral: o afeto na cozinha da família.

Muito bom de acompanhar!!!

Com carinho,
Betina

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Ganhando uma geleia de presente, com receita e tudo!!!

Pois hoje recebi um presente muito afetuoso de uma leitora e amiga querida: um vidro da geleia de carambola e alecrim, feita por ela. O doce foi entregue junto com a receita, com dedicatória e tudo!!! Adivinhem se adorei?

Bom, logo pedi autorização para compartilhar a receita aqui no "Serendipity in Cucina"! Foi a primeira vez, que me lembre, que recebi um presente assim: o quitute e o 'como-se-faz' da autora, com data, assinatura e com o agradecimento carinhoso de quem elaborou o doce. Foi bárbaro!

Lá vai:

Geleia de Carambola e Alecrim

- 1kg de carambolas
- 50ml de água
- 175g de açúcar
- 1 canela em pau
- Alecrim a gosto

Tirar as sementes e picar as carambolas. Batê-la, aos poucos, no liquidificador. Adicionar a água se necessário, pois esta fruta já tem muita água. Colocar a carambola batida (sem coar) e o açúcar em uma panela grande. Acrescentar a canela e o alecrim. Deixar 25 minutos em fogo alto/médio, sempre mexendo para não grudar. Depois, deixar mais 25 minutos em fogo baixo, sempre mexendo. Quando pronta, colocar em potes de vidro.

Três pontos, além do 'como-se-faz', que traduzem a presença da cozinheira na escrita da receita:

1..."Cuidado: o cheirinho da combinação carambola/alecrim vai deixar tua cozinha inebriante."

2..."Sugestão: Comer com queijo branco, como ricota. Fica uma delícia."

3...A dedicatória: "Betina, muito obrigada por me ajudar a ousar. Nunca colocaria alecrim na carambola e, veja só, casou tão bem! Beijos, Gabi

4...A data!

Pois a geléia é de um amarelo perolado suave, um cheiro de pátio recém desperto, um sabor doce e viçoso, na dose certa. E é verdade, a combinação da carambola com o alecrim, num pano de fundo aquecido pela canela, faz a festa! Ah, e é importantíssimo acrescentar: o pote do doce foi decorado pela própria doceira!

Como é saboroso receber um presente feito por quem presenteia!!! E mais...interessante observar como uma memória alinhava-se à outra: ainda ontem, contava sobre a Vó Alda, lembrando de suas receitas assinadas e datadas, com 'Fim' no término da explicação, imprimindo sua marca ao registro. Para mim, a riqueza do 'fui eu que fiz' está nestes detalhes, a dedicatória, a data, a sugestão de como saborear o quitute. E, se ontem lembrava das anotações da Vó, escritas à mão para uma pessoa querida, hoje recebo- também escrita à mão por uma amiga- uma receita, em folha de caderno de receita, para completar meu presente!!! E tem mais: as carambolas vêm de um pátio de muito significado, e isto faz toda a diferença na história desta receitinha! Devo mencionar as referências da autora sobre o aroma que inebria a cozinha, e o retorno que recebi, pelo estímulo à ousadia nas combinações culinárias!!!

Foi uma vivência muito feliz receber este presente. De algum modo, por incentivar o gosto às misturas que nascem da ideia, senti-me parte do contar de uma história, a história de um como-se-faz, a história de uma invenção...

Quis muito compartilhar com os leitores, aqui no blog, a alegria deste presente:
um doce feito à mão e uma receita escrita à mão!!

Bom proveito!!!

Com carinho,
Betina