segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Bem-vindo, Setembro!


Setembro é mês de almoço no pátio, com amigos de sempre. De piquenique imprevisto. E de ir à feira em chapéu florido, sol ameno. 
É tempo de amor primaverar, amor sereno. Tempo de bolo macio e fresquinho, 
em louça de vó, lanche da tarde. 
De abrir janelas, arejar a casa.
Tempo de flor abrir, ensolarando o jardim. 
É mês de sentar no campo, na toalha amarela, coisa de passar o dia. 
Descanso feliz, celebrante, 
tim-tim. 
Quitutes? À vontade. 
Preguiças, sonecas, risadas, brisas, sucos, sanduíches, maçãs, sonhares. 
Antes, agora?
 Relógios, fora.


 Setembro é todo primavera, 
 Espera, começo. 
Um ventar em sopro, flor-a-flor. 
Mês de sorriso manso, ritmo de dia nascendo, de ideia nascendo, de esperança nascendo. 
De livro nascendo, palavra-a-palavra. 
De amor nascendo, beijo-a-beijo. 
De trabalho nascendo, sol-a-sol. 
De alegria nascendo, dia-a-dia.

 Ah, todo mês é assim. 
E este é setembro, pra mim. 

A todos os amigos-leitores, 
desejo um belo 
Setembro em flor!


Com carinho,
Betina 
















sábado, 23 de agosto de 2014

Sobre o filme 'Chef', de Jon Favreau!!!

Aproveitando o post de ontem, sobre as novidades do período, lembrei de contar do filme Chef, que assisti na semana passada. E, sem sombra de dúvidas, o filme comunica muitos aspectos interessantes.

Como escrevi em minha página no Facebook, 
" é entusiasmante, prende a atenção do início ao fim. E cabe referir a forma sensível e reflexiva com que o filme aborda a relação do personagem com seu filho de 10 anos, além dos temas tão presentes em nossos tempos, como a 'vida multimídia' favorecida pela redes sociais. O filme é vibrante, profundamente atual, com um apelo 'na medida' ao aspecto sensorial, e vale boas risadas! E, claro, traz a Gastronomia como foco de ação, o que também é de grande relevância nos nossos dias. Uma história divertida, dinâmica e afetiva, traz boas reflexões. Recomendo fortemente!!!!".

Pelo trailer, já se percebe  o ritmo do filme: dinâmico, sensorial, afetivo. E profundamente atual! Hoje pensando, o ponto mais forte da obra, o que mais me tocou, foi a relação do personagem, Carl Casper, com seu filho de 10 anos. Percy é um menino com grandes habilidades no uso das mídias sociais, sim, mas com uma capacidade de afeto e resiliência que nos toca a alma. E a melhora no convívio entre eles, a meu ver, é resultado da capacidade do filho:  pouco a pouco, vai ajudando o pai em seu percurso de descoberta: de si mesmo- como homem, como pai e como chef- e do menino, enquanto trilham um percurso em comum, que é a chave da história. Outro ponto alto é a entrega e a permissão para a criatividade, expressa pela função de Casper como chef, ao longo do filme. Fica a pergunta: como estamos com nossa vida, quando não damos espaço ao nosso potencial criativo, nosso espaço 'em branco'? Quem somos quando presos na moldura rígida do previsível, do 'deve-ser-assim-porque-sempre-foi-assim", como ilustram algumas cenas? Deixamos de perceber que a rigidez em uma área acaba intoxicando as demais, nos tornando endurecidos para outros campos de nossa vida? 

E, refletindo sobre todo o conjunto, senti o evoluir do personagem principal, Casper, neste sentido. A sua flexibilização foi tomando uma proporção maior ao longo do filme, coincidente com a melhora na convivência com o filho e na expressão afetiva com este, além de outros pontos. Vale observar o papel da criança nesta modificação: na minha leitura, o menino é o grande agente de mudança nas dificuldades do pai. Criatividade e afeto crescem juntos em Casper, em sinergia, e isto é lindo de ver. 

Há outras vertentes importantes, como o papel do crítico gastronômico na trajetória profissional do Chef, o papel do proprietário do restaurante na restrição de seu potencial criativo, a figura da ex-esposa de Casper e sua participação na relação deste com o filho, a lealdade do amigo e da namorada de Casper em seu caminho, e tantas outras nuances. Vale a pena assistir, saborear, refletir sobre esta obra, com tanto a nos presentear. Porque, além de todos estes fatores, é divertida, dinâmica, aberta, contemporânea, surpreeendente!

Jon Favreau é autor, diretor e ator principal, no papel de Carl Casper. O elenco inclui também Dustin Hoffman, Robert Downey Jr., Scalett Johansson, Sofia Vergara, entre outros.

Bom proveito, espero que gostem!

Com carinho,
Betina

Contando novidades!

Boa noite!!!

Há quanto tempo não conversamos!!! 

Tem sido um ano de projetos de escrita culinária, em desenvolvimento ao longo das estações, com maior ou menor intensidade. Neste inverno, por exemplo, pouco pude escrever, mas retomo hoje nossas conversas. Como o tempo está corrido, meu plano é postar uma vez por semana, pelo menos, assim nos manteremos atualizados, queridos leitores serendipianos. 

Bom, trago novidades! Uma delas é o vídeo da entrevista com o ensaísta americano Michael Pollan, que esteve recentemente na Flip, em Parati. Sou grande admiradora de seu trabalho, e, nesta entrevista, o autor aborda a importância de a família compartilhar a refeição à mesa, algo sobre o que conversamos muito aqui no blog. Vale a pena conhecer seu site, também. 

Dos projetos de escrita vou contando pouco a pouco. Alguma dica? Um deles aborda meus olhares e vivências em uma viagem culinária, feita no início do ano à Girona, na Catalunha. Não se trata exatamente de um guia turístico do local, nem mesmo de um diário viajeiro ou de um caderno de receitas de cozinha regional. Um pouco de cada, quem sabe. Seria, isto sim, adequado chamá-lo de 'Experenciário', um registro sistematizado das experiências que o local me oportunizou...Tudo o que descobri por lá assumiu proporções maiores do que imaginava quando bolei o livro, porque o encadear dos acontecimentos foi mostrando facetas interessantíssimas dali. Inclusive, por ser a província onde nasceu e morou Salvador Dali. A solução, assim, foi ampliar o projeto e torná-lo um terreno de estudo continuado.

 Por que este entusiasmo todo? A província de Girona, e toda a riqueza que conheci por lá em termos de cultura gastronômica, fornece muitos caminhos para a reflexão sobre temas relevantes: a interação entre produtores locais, distribuidores e proprietários de restaurantes, o uso dos recursos da natureza local para a formação de uma Gastronomia plena de identidade, a força do valor atribuído à sazonalidade e à geografia,  na elaboração dos cardápios. Tantas são as vertentes possíveis, que seria impossível realizar um projeto reduzido, a curto prazo. Mais do que um livro, esta região merece um olhar aprofundado de estudo, sendo conhecida, internacionalmente, como uma espécie de Catalunha Gourmet. Nos próximos posts, vou apresentando alguns aspectos e contando das visitas preciosas que fiz por lá.

O outro projeto de escrita culinária está em seu começo, e ainda é cedo para falar sobre ele. Curiosos? Em breve, contarei novidades por aqui. 

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E há outro assunto, desta vez relacionado a Porto Alegre. Sou fã de almoçar no restaurante Le Bistrot, na Rua Fernando Gomes, com suas mesinnhas na rua, sua atmosfera intimista no ambiente interno, sua equipe de excelência tanto na composição dos sabores, quanto no atendimento. Neste período de julho e de boa parte de agosto, em que estive com a mão esquerda imobilizada por uma fratura, pude usufruir do local, com certa regularidade. Uma vez por semana, por motivo de compromissos na vizinhança, almocei ali e tive a satisfação de contar com um grupo de funcionários muito solícitos, gentis e afetuosos no serviço e no contato com os clientes.

Tive a alegria de me sentir muito acolhida por todos. É já de muito tempo que aprecio e frequento o local, mas foi neste período de limitação temporária que seu significado tornou-se mais amplo. Além de um restaurante bárbaro, é um espaço de memórias muito felizes para mim, com amigos e com a família. Em tantos sábados de sol, os almoços no 'Le' foram a grande pedida. No entanto, foi neste período de almoços em solitude, em que precisei contar com a gentileza da equipe para me servir e para cortar os alimentos, que pude 'carimbar' uma identidade afetiva ao local, acolhedora, relacionada ao conjunto entre o espaço físico e a equipe de funcionários. Foram momentos silenciosos, reflexivos, contrastando com outras ocasiões em que partilhei a mesa com amigos, em boas conversas e risadas. Tudo em mais de 10 anos!

Ontem recebi a notícia de que o restaurante ficará fechado nos próximos dois meses, por motivo de reforma, e que os almoços serão transferidos para o Constantino, ao lado dele. Neste período, me contaram os funcionários, o cardápio será de pratos ligeiros, servidos à mesa, e não mais o bufé que caracteriza os almoços no Le Bistrot. No final de semana, haverá pratos especiais, diferentes do perfil da semana, me contaram.

A surpresa veio com sabor de 'boas novas': os pratos terão uma característica de serem adequados ao público, que em geral trabalha nas redondezas e deve retornar às atividades sem demora: um menu desenvolvido para atender as demandas dos comensais. Finda a reforma, será avaliado o retorno dos almoços ao Le Bistrot. Por enquanto, a mudança definitiva me pareceu uma incógnita, mas, sem sombra de dúvidas, será uma mudança benfazeja. O Constantino é excelente, conta com um pátio encantador com mesas ao ar livre, e tem ambientes muito aconchegantes. E a equipe, parte pulsante e pró-ativa do Le Bistrot, estará ali, com sua gentileza e sorriso pronto no rosto para atender os clientes. 

Os almoços no Le Bistrot estarão em vigência até fins de agosto. A partir de 01 de setembro, o Constantino assume o posto!

Por hoje, são estas as notícias! 


Com carinho, e até breve, 
Betina








quarta-feira, 14 de maio de 2014

...e por falar em sabores: releituras possíveis!

Depois do texto de ontem, sobre os registros de sabores em uma caderneta, numa viagem ou mesmo na rotina, pensei nas receitas que temos internalizadas, mas sem qualquer anotação.  Mais uma vez, a lembrança de que não temos muitas das receitas da Vó Leia  por escrito, tendo que "tocar de ouvido" ou, na melhor das hipóteses,  tendo que recorrer à 'memoria das mãos', como na Pizza de sardinha. Pois procurando reeditar as saborices da Vó,  fui encontrando riquezas pelo caminho. Uma destas foi receber as dicas da Dona 'Lola' sobre os figos cristalizados, no final do ano passado, resultando em uma experiência muito prazerosa de revisitar os figos da Vó. A mãe reproduziu o doce de laranjas azedas, também com os toques da Dona 'Lola', e ficou parecidissimo ao original...fizemos a torta de amendoim com ovos moles e ameixa, há dois anos, adivinhando as quantidades...

E por aí vamos...descobrir, reinventar, fazer a olho, recordar: todos são resultados da ausência de registros escritos, e, ainda bem, da presença da memória,  individual e coletiva, deste ou daquele prato, deste ou daquele doce. Disse ontem, e de fato acredito nisto: o sabor nos fotografa, sim. O sabor captura uma imagem fiel de nós,  de nossas emoções à primeira mordida. Ficamos carimbados nele e, num próximo encontro, mesmo que muito tempo depois, nos reencontramos com a  memoria que temos dele. E com a memória de nossas percepções mais escondidas. É um encontro conosco, no fim das contas, com nosso saborear mais profundo e com a vivência que ele traduz.

Releitura dos figos cristalizados da Vó Léia
Há outro ponto muito especial neste resgate: a receita montada "a várias mãos", pela composição das lembranças de tias e primas que conheciam as delicias feitas pela Vó e, muitas vezes, lembram ainda do "como-se-faz". Para mim, este é um dos melhores aspectos de redes sociais como o Facebook, a possibilidade desta partilha online de detalhes culinários que habitam os registros familiares, na azáfama do cotidiano que vivemos hoje. Nem sempre é possivel organizar o reencontro 'ao vivo', mas como é precioso lançar uma pergunta sobre as medidas de uma receita e, em seguidinha, colher respostas e lembranças de uma prima, dicas de outra, comentários de uma amiga da vida toda que conheceu a Vó. Tudo em tempo real, primas e tias pelo lado da Vó Leia e pelo lado do Vo Hélio, como se estivéssemos naquelas conversas na mesa da copa. De um modo virtual, se instala a realidade da partilha: das recordações,  dos sabores vivenciados, das mesas de café da tarde em que a chimia de uva reinava, viçosa, sobre a fatia do
 pão-de- meio-quilo, com  o miolo macio e a casquinha crocante.

Os figos, na panela...
O doce de laranjas azedas...
...o mesmo doce, em foco!
A pizza de sardinha...
 Todas as reedições dos quitutes da Vó envolveram o compartilhamento de resgates e de prazeres sentidos na memória, sempre houve a colaboração  de alguém que deu uma receita parecida, de outro que disse "faz-assim, faz-assado", de um sabor que conta a propria história através dos registros coletivos, na familia.

Gracias a todos que participam, quer trazendo detalhes, quer partilhando a leitura de minhas revisitas...

A próxima receita? Será a chimia de uva, classica da Vó, de que ja descobri as medidas por lançar a pergunta no Facebook...aproveito para agradecer à prima Lucia Fiorenzano, por ter me dado a pista! Quem mais se aventura a colaborar, contando dicas do preparo?

Obrigada pela visita!
Com carinho,
Betina

terça-feira, 13 de maio de 2014

Visitando anotações de viagem!

Olá! Os escritos no blog têm sido mais espaçados, neste trimestre, mas minhas observações culinárias seguem rotineiras: tomo notas em uma cadernetinha que guardo na bolsa e, cá e lá, sinto que há semente para um novo texto. Uma das coisas boas deste meu novo hábito é a pratica da escrita com caneta, em folha pautada - há quanto tempo eu vinha escrevendo nos teclados...outra descoberta nascida das notas é a intimidade com os registros em forma de diário,  costume surgido em viagem, especie de roteiro de sabores vivenciados.

Sim, vivenciados. Mais do que sentirmos um sabor, o que fazemos quando comemos algo é um processo que abrange nossa fisiologia, nossa psique,  nossa historia pessoal e coletiva, nossas memórias de infância e aquelas de alcova, nossa Literatura, e por aí vai...o sabor conta de nós tempos depois de uma experiência gustativa, porque o sentimos- e o registramos- com todo nosso ser, ele passa a existir como parte de nós. Talvez seja algo parecido com o êxtase do apaixonamento misturado à força calma e perdurante do amor, e não é exagero...o sabor carimba uma cena, e vamos associar esta ou aquela paisagem com a memória afetiva do que comemos ali, e com quem, com qual estado de espirito- sozinhos ou acompanhados, melancolicos, íngremes ou alegres?

Pois é,  uma das notas de cadernetas antigas  me remetia a uma visita à Queijaria Mas Alba, na provincia de Girona, na Catalunha, onde fui para escrever sobre a culinária regional. Folheava, dia desses, notas do período,  e foi incrível perceber como o sabor tambem fotografa- e nos fotografa. Me dei conta de que, ao contar o que sentia enquanto saboreava uma lauta refeição entre amigos-os proprietarios da hospedaria e Queijaria Mas Alba e um grande amigo da familia-, contei de como me senti na cena, através das receitas preparadas pelo grupo. Para além de fascinante a experiência,  o que havia naquela celebração era mágica, era harmonia, era entusiasmo, e pude perceber a riqueza do momento mesmo que os integrantes conversassem em Catalão. O idioma, na cozinha e na sala de jantar, era outro: o idioma era o sabor construido em conjunto, na atmosfera de forno-e-fogao, e partilhado entre risadas e boas conversas.

Há muito o que contar, e as novidades vêm a galope, mas hoje, relendo cadernetas antigas, mais uma vez senti a força revolucionária que o ato de saborear exerce em nossa intimidade. Por sua vez, quando escrevemos sobre isto, a evocação das memórias surgidas pelo texto gera em nós sensações semelhantes àquelas de quando experimentamos o prato, porque temos a lembrança ja interiorizada. Então, a vivência do que comemos conta sobre a cena, e conta sobre nós,  também. E, no caso das anotações manuscritas, este contar nasce com a nossa letra. Daí o beneficio de um diário de impressões culinárias. Ja experimentou??

E como temos um belo arsenal para a imaginação em nosso cérebro, todo este processo funciona quando lemos sobre sabores desconhecidos-criamos a figura do que estamos lendo, pela voz de um narrador interno, só nosso. Isto é especialmente verdade para mim ao "devorar" o livro de memorias culinárias de Josep Pla, escritor catalão de grande e merecido destaque no Sec. XX, "Lo que hemos comido".

Sobre o livro de Pla? Ah, esta é uma outra conversa...!

E você:  como percebe os sabores marcantes de sua historia?

Com carinho, agradeço a visita,

Betina







quarta-feira, 23 de abril de 2014

Homenagem aos Livros de Cozinha!!!



No Dia Mundial do Livro, a homenagem do Serendipity in Cucina aos livros de Cozinha, estes fieis e simpaticos mestres  que ensinam e partilham as Artes Culinárias, que se tornam confidentes e testemunhas das mudanças de ultima hora nas receitas...estes ilustres amigos, alinhados um a um em nossas estantes e presentes na vida dos amantes da boa mesa! Podemos não  usa-los amiúde,  mas os desejamos, belamente expostos  ou em uso no balcão,  comungando conosco a festa de forno-e-fogao. Ah, os livros de cozinha...!!! Estes que nos levam à loucura nas prateleiras de livrarias, estes que nos mantém por horas entre um folhear e outro das paginas, na escolha voluptuosa de abocanhar uns dez de uma so vez, gulosos por suas receitas, por suas historias, por seu sabor. 

Para mim, os livros de cozinha são amigos de longa data, sempre convidados à mesa da copa, para pesquisas, conversas, devaneios, novos ventos... e foram eles que me inspiraram para a realização do meu Pequeno Alfarrabio de Acepipes e Doçuras, juntos aos cadernos de receitas que conheci e que tive. 

A cada novo livro culinario, descubro um novo mundo de ideias, de janelas abertas com cheiro de coisa boa saindo do forno! 

Meu 'Muito Obrigada' a estes personagens de minhas aventuras de cozinha, que inspiram meus escritos e meu prazer na alquimia dos ingredientes!!

E você: qual sua historia com os livros de cozinha? 

Com carinho, 
Betina

domingo, 20 de abril de 2014

Qual sua receita de hoje?

Domingo de Pascoa. Almoço em familia, ou como preferir: com o amor, os amigos, consigo mesmo, em casa, em cidade estranha, no interior, nalguma capital. Em qualquer lugar, hoje é Domingo de Pascoa, se você sente e acredita no simbolismo desta data. É Domingo de Pascoa dentro da gente, uma partilha silenciosa com nossas lembranças,  antes mesmo de celebrarmos o dia com os demais, na hora do almoço. 

E haverá tantos outros que amamos e queremos perto, mas encontraremos noutra ocasião,  com presentes atrasados do Coelhinho, abraços e tin-tins...Bom, não importa: na receita que desejamos preparar, estão todos do nosso querer-bem, próximos ou distantes, e até estes últimos serão parte da cozinha de Páscoa, se você estiver inteiro na realização do prato.  Se estão em seu íntimo,  tornam-se vivos no seu fazer culinário: basta você estar presente na tarefa, focado em cada ato, em cada sensação que os ingredientes gerarem na mistura.

Vivencie a receita como uma experiência única de vida, sem 'perder' um segundo com preocupações ou pensamentos que nao pertencem àquele momento. Esteja ali, pleno, dedicado ao processo, com a pureza da criança que brinca por brincar, consciente apenas do tempo que tem. E qual o tempo da criança? O instante da brincadeira, em que tudo o que sente é verdade, é vivido e colorido. Sem antes ou depois. Seja a receita que estiver preparando, faça parte dela como ingrediente, através de sua atenção. 


Esta é uma das melhores formas de homenagearmos nossos queridos, longe ou perto, pois colocamos nosso amor na delícia que fazemos-doce ou salgado, acido, amargo ou umami,quente ou frio, entrada, prato principal, salada, sobremesa ou merenda. Ali estamos nós, desejando Feliz Páscoa através da nossa receitinha favorita! Ja escolheu a sua?

Feliz Domingo de Páscoa!!
Com carinho,
Betina